O Conselho de Turismo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) debateu, em 16 de abril, a hospitalidade corporativa nas arenas esportivas. Para falar sobre o tema o Conselho recebeu a consultora na área de treinamento corporativo e professora das Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), Roberta Guimarães, que foi responsável por gerenciar a elaboração do projeto de receptivo para a Copa do Mundo da FIFA no Brasil, concorrência vencida pela empresa CSM. Roberta abordou o atendimento aos clientes nos estádios, apresentou exemplos dos maiores estádios do mundo e como trabalham produtos e eventos para gerar demanda além dos períodos de jogos.
Segundo Roberta, a hospitalidade corporativa é vista pelas empresas como uma oportunidade para construírem relacionamento com clientes estratégicos para o negócio, em um ambiente informal. Em todo o mundo é cada vez mais comum as empresas comprarem hospitalidade em estádios para entreter os clientes, e usarem os eventos patrocinados e camarotes como espaços de ativação das marcas. “A Hospitalidade nas arenas é considerada uma ferramenta de marketing poderosa e estratégica”, explica a consultora.
O serviço de hospitalidade corporativa realizado nos estádios deve trazer “a atmosfera da hotelaria para dentro das arenas esportivas”, transformando o momento do jogo numa experiência diferenciada e marcante para o público torcedor, acredita Roberta. Ela lembra que o segmento é relativamente novo para os clubes brasileiros, que vão gerenciar alguns estádios, mas deve crescer de forma acelerada nos próximos anos para gerar sustentabilidade para as arenas esportivas.
Desafios
Entre os dez maiores estádios do mundo, com capacidade de público que variam de 150 mil a quase 88 mil pessoas, não há qualquer estádio brasileiro. “A gente pensa porque não temos o Brasil participando dessa lista. Em algum momento o Maracanã já foi palco de 200 mil espectadores e hoje tem lotação de 73.5 mil”, lembra Roberta. Os demais estádios do País tem lotação máxima em torno de 42 a 68 mil pessoas. O País não constar na lista das maiores arenas esportivas mas aparece dez vezes entre os vinte estádios mais caros do mundo, e oferta poucos recursos para os eventos de hospitalidade corporativa. “Os estádios são crus em termo de operação, cabe aos times ou às empresas trazerem para este ambiente tudo que necessitam. Como um gerador, necessário para qualquer serviço de catering (suprimento de alimentos e bebidas)”, explica.
Entre outros desafios a serem enfrentados, Roberta cita a dificuldade de mobilidade e acessibilidade no entorno dos estádios, e ainda a disponibilidade de mão de obra capacitada e bilíngue para o atendimento. “São arenas belíssimas e de qualidade, do ponto de vista arquitetônico, mas realmente falta o que vai fazer a grande diferença na entrega desse produto que é o atendimento e o funcionamento do entorno”, afirma.
A consultora sugeriu que o Conselho de Turismo da CNC aprofunde o debate sobre de que forma as arenas serão trabalhadas após a Copa do Mundo. Para ela será fundamental desenvolver experiências adequadas para o mercado brasileiro. “É necessário um trabalho efetivo de entender as demandas e avaliar que tipo de produto é possível oferecer para cada um desses estádios, em diferentes estados do país”, concluiu.
Fonte: CNC